• Alexander Conceição

Entrevistas técnicas: como não transformá-las em pesadelos

Atualizado: 24 de out.



Imagine que você foi chamado para a entrevista dos sonhos. Você estuda a empresa, sua cultura, seus projetos e todos os aspectos técnicos que podem ter sido aplicados neles. É o candidato perfeito: interessado e preparado. Até que chega o grande dia, você repassa suas anotações e passa até perfume para uma chamada de vídeo. Entram 5 programadores com o objetivo puro e simples de trucidar o candidato e iniciam a entrevista com a mais sórdida e sem sentido das perguntas: "qual será o resultado de "1" == 1?".


Verdade seja dita: você estudou complexidade assintótica, todos os design patterns que possam existir, algoritmos de ordenação e suas aplicações, injeção de dependência ou até se aventurou em reflection. Você buscou assuntos de alto valor agregado e se deparou com perguntas sem valor algum. Afinal, como aquele questionamento refletirá seu raciocínio diante de cenários complexos da vida real? Saber essa resposta lhe permite resolver que tipo de problema? Nenhum.


Você não está em um show de calouros


Codificar não é uma tarefa simples. Exige preparo, entendimento de diferentes áreas do conhecimento e principalmente calma. Não é algo que se faça ao vivo, com pessoas olhando e em um ambiente de nervosismo. Certamente, o problema proposto será tratado de forma superficial, o que atrapalhará o processo de avaliação tanto quanto o de construção.


Evite aglomerações: todos nós sabemos como uma sala cheia pode ser caótica, especialmente quando os olhares estão voltados a uma única pessoa. Claro, não é interessante sozinho, é importante que se discuta todos os assuntos abordados e como o entrevistado abordou os temas propostos.


Mantenha o candidato calmo! Explique como a entrevista será conduzida e quais as suas expectativas até o final daquele papo. Momentos de grande exposição podem fazer com que o candidato deixe de trazer à conversa muitas das coisas que preparou. Se fica difícil até de falar, como será a experiência de codificar?


Aqui na Evlos, por exemplo, criamos um conjunto de requisitos e enviamos ao candidato para que realize como tem que ser: em seu tempo. A experiência precisa ser humana, ou será completamente contrária aos nossos valores.


À partir do envio do código é possível uma discussão mais aprofundada sobre quais foram os caminhos tomados, se os requisitos foram compreendidos ou se o candidato decidiu ir além daquilo que está escrito e pensou em regras implícitas na documentação. Até o tempo de resposta do candidato com o teste pode ser levado em consideração.


Mas então qual o propósito?


Entrevistas técnicas devem demonstrar se o candidato é capaz de desenvolver soluções criativas e adequadas aos problemas que a empresa enfrenta. Se ele ou ela consegue estruturar o raciocínio a fim de transformar um conjunto de requisitos em um produto de qualidade. Se possui os conhecimentos necessários para cumprir com as expectativas da vaga.


Por fim, lembre-se! Sua responsabilidade como avaliador não é reprovar o entrevistado e isso nunca será sinônimo de sucesso. Seu papel é garantir que aquele candidato consiga demonstrar toda sua capacidade, seu alinhamento com a cultura da empresa e, muitas vezes, suas fraquezas ou débitos técnicos em relação à vaga. Qualquer resultado diferente significa que você simplesmente falhou e pode ter perdido um bom profissional, ou pior: ter contratado um ruim.

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